De OLHO na Lente!
Muitas matérias já foram feitas, muitos óculos apreendidos, mas os camelôs continuam vendendo óculos de grau livremente no Brasil. A equipe do Camaçari Fatos e Fotos (CFF) resolveu verificar se existe na cidade camelôs com esse tipo de atuação e visitou, durante a semana, o Mercosul Camelódromo. Para nossa surpresa, identificamos a venda de óculos de grau sem receita médica e sem orientação de um vendedor óptico que possa ajudar nas escolhas das armações, além de informar o tipo lente para cada caso.
Nas ruas, os camelôs garantiram a qualidade dos óculos e as dioptrias (medições) etiquetadas no visor. O consumidor que desejasse adquirir óculos com dioptrias positivas altas ou baixas acharia tranquilamente. “Esse aqui tem grau +2’75”, disse o vendedor coreano. Investigando, a repórter pediu outro: “meu grau é de +1’75”. O homem, prontamente, foi verificar se tinha o grau informado. “Aqui, achei um com +1’70”, ofereceu. A repórter disse que compraria depois, fotografou e foi embora.
Outro vendedor foi questionado sobre a possibilidade de problemas de visão e respondeu: “pode comprar despreocupada, é 100% garantido”. Triste engano. Existem pessoas que procuram uma solução rápida e econômica para resolver os problemas de visão, outras acreditam que não lhe trará problemas a saúde e acabam comprando óculos de forma indiscriminada e sem nenhuma garantia.
Segundo o técnico óptico, Reynaldo Freitas de Araújo, que trabalha há 17 anos no ramo, o principal problema para quem compra esse tipo de óculos é a cegueira. “Esses óculos podem ocasionar diversos tipos de lesões. O problema pode não ser imediato, mas com o tempo aparecerá; em muitos casos pode ocasionar a cegueira”, advertiu.
A utilização dos óculos vendidos pelos camelôs piora o problema de visão do usuário aquece o comercio ilegal. Os vendedores ambulantes teimam em oferecer óculos de baixa qualidade, sem ao menos saber a sua procedência. “Os óculos possuem lentes de péssima qualidade; ela não é lixada como as que as óticas vendem que são 100% esféricas, ela é moldada, o que pode trazer problema ocular para quem a utiliza”, ressaltou Reynaldo.
De acordo com ele, o usuário acaba se acostumando com os óculos sem qualidade e só com o passar do tempo a dificuldade aparece. O consumidor poderá ter problemas tanto nas córneas quanto na retina. “O importante para a visão é a lente e se é de baixa qualidade, o usuário deve ficar atento. A mesma coisa é em relação à lente de contato. Aqui em Camaçari eu ainda não vi, mas em Salvador vende e a contaminação é pior, pois vai direto para o olho”, destacou.
Os óculos são baratos, vendidos entre R$ 10 e R$ 15 e são vendidos “somente para perto”, com sinais positivos. Se o grau e o eixo não estiverem corretos, o usuário além de um resultado negativo terá muito desconforto, como dor de cabeça, vista cansada, visão baixa e enjôo. “No futuro a pessoa vai procurar um oftalmologista obrigatoriamente”, sinalizou.
O problema não é apenas a falta de grau, mas o surgimento de alguma doença grave. As doenças vão desde glaucoma, catarata, e doenças degenerativas, quando o usuário já tem probabilidade para adquirir. Isso é questão de Saúde Pública.
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