15 de jan. de 2011

Poema Revista Serafina "E que se ponha a roupa do vento"


E que se ponha a roupa do vento


O Jogo é inventar a goleira
mais do que a bola.



Garagens são traves,
Lapides são traves,
cercas são traves,
chinelos são traves.



O que pode ser levado
com uma mão
adivinhado pelas pernas.



Postes de luz são traves,
placas são traves,
lixeiras são traves,
bancos são traves,



Marcar com o chão numa linha
imaginaria
daquio pra ali é o campo.



E o mundo não existe mais
fora dogiz branco.



Um quarto esta pronto
a céu aberto.
Um Quintal no neio da casa.
Uma rua cortando a praça.



Corra no Jardim sonânbulo,
pise a grama com raiva, raízes
são cadarços amarrados
nos tornozelos das árvores.



Há coices, quedas, uivos:
nada termina a vida,
essa explosão suspirada.



É um transe, a trave;
trânsito parado, feriado.
O defensor descansa
na tranca dos joelhos
O passáro voa de cabeça
a cabeça, descasca a chuva,
espalha os cabelos.



A trave é montinho, formigueiro,
capuz de cisco, ninhos.
Formigas transportam alimento
por dentro dos seus riscos.



Que seja capacete de moto,
um tijolo, um toco, qualquer
troco de mato entulho.



Dez passos ao lado e uma
altura infinita, fazer endereço
para receber cartas, desenhar
gol de letra.



Trave é o quadro-negro dos pés.
Caroço de brilho,
queimadura de cometa.
Na praia , no calçadão,
no descampado.
Tudo o que foi costurado
pelo ínvisivel entre o corpo
e uma porta.



Pedrs são traves,
bambus são traves,
frutas são traves.
Até crianças são traves
para adultos passar
de volta a infância.






(Fabrício Carpinejar)


Um comentário:

Unknown disse...

"Amar é..." e´um classico muito fofo eu tinha adesivos.Amei o video e a musica..beijos tati